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Postada em 15/01/2020 ás 15h22

Publicada por: Liliane Alves

Fonte: G1

Advogada presa pediu para ser agredida para obter prisão domiciliar
Advogado foi presa suspeita de planejar ações criminosas, incluindo fuga de chefes de facção de presídios no Ceará.
Advogada presa pediu para ser agredida para obter prisão domiciliar

Foto: reprodução

A detenta suspeita de agredir a advogada Elisângela Maria Mororó no Instituto Penal Feminino (IPF) Auri Moura Costa, no Ceará, afirmou à Polícia Civil que a advogada pediu para ser agredida, com o objetivo de conseguir prisão domiciliar, conforme depoimento registrado em boletim de ocorrência ao qual o G1 teve acesso.

Elisângela Mororó foi presa por suspeita de integrar uma organização criminosa que atua no Ceará. Na residência onde ela estava, foram apreendidas uma pistola e cocaína. Depois, ela foi alvo de um mandado de prisão da Operação Reino de Aragão, em dezembro do ano passado, por suspeita de planejar ações criminosas com chefes da facção presos, inclusive a fuga de um presídio.

Após a agressão, Elisângela foi levada a atendimento médico, que não constatou gravidade nas áreas atingidas. Em seguida ela retornou à unidade prisional, onde permanece reclusa. Ela também é suspeita de cobrar até R$ 15 mil para entregar droga a presidiários durante visita aos clientes presos.

Procurada pelo G1, a defesa da advogada afirmou que iria se pronunciar sobre o depoimento ainda nesta quarta-feira.

Em boletim de ocorrência de 6 de janeiro, a presidiária suspeita de agressão reconhece que mentiu no depoimento de dia 2 de janeiro, quando confirmou que agrediu a advogada motivada pelo fato de que "não gostou dessa mulher porque viu um bicho ruim nela".

Segundo a nova versão da detenta, Elisângela pediu para que ela simulasse a agressão com a promessa de que conseguiria um advogado para ela. O defensor atuaria em um pedido de transferência para um hospital mental, já que a mulher sofre surtos de epilepsia.

A presa completou "que confessa o falso testemunho prestado e que somente aceitou fingir que estava agredindo a detenta supracitada, porque esta lhe pediu para que batesse na cara dela e na barriga com o fito de conseguir prisão domiciliar e que a declarante então conseguiria a comunicação com sua genitora e por consequência iria para o hospital mental", segundo o registro no boletim de ocorrência.

Pedido da OAB-CE

A Ordem dos Advogados do Brasil - Secção Ceará (OAB-CE) ingressou no Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE), nesta quarta-feira (15), com um pedido de que a advogada Elisângela Mororó seja colocada em prisão domiciliar.

O pedido foi assinado pelo presidente da OAB-CE, José Erinaldo Dantas Filho; pelo diretor de Prerrogativas da Ordem, Márcio Vitor Meyer de Albuquerque; e pelos advogados do Centro de Apoio e Defesa do Advogado, Francisco Cezar Azevêdo Lima e Paulo Oliveira.

O presidente da Ordem no Estado, advogado Erinaldo Dantas, explicou que "pela nossa lei, se tiver um advogado preso, ele fica na sala do Estado Maior. E como não existe sala de Estado Maior no presídio feminino aqui do Ceará, a gente requer que ela vá para prisão domiciliar. A gente não pode permitir que uma franqueada da OAB continue no mesmo local que presos comuns".

Questionado sobre a declaração de uma presa de que a agressão à advogada foi planejada pela suposta vítima, Erinaldo disse que desconhecia a informação. "Acho pouco provável. Porque se fosse para combinar uma agressão, ela teria combinado uma agressão de menor potencial", pondera.

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