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Chacina na BA

Postada em 14/12/2019 ás 16h36

Publicada por: Liliane Alves

Fonte: G1

Motorista que sobreviveu a chacina escapou depois que outra vítima lutou com criminosos
Quatro condutores de transporte por aplicativo, incluindo o que reagiu, morreram. Crime foi descoberto depois que sobrevivente encontrou policiais militares. Um dos suspeitos morreu.
Motorista que sobreviveu a chacina escapou depois que outra vítima lutou com criminosos

Foto: reprodução

O sobrevivente da ação que deixou quatro motoristas de transporte por aplicativo mortos em Salvador conseguiu escapar dos criminosos depois que uma das vítimas lutou com eles durante o ataque. A informação foi divulgada por familiares dos motoristas, que conversaram com o sobrevivente. O homem ainda não falou com a imprensa.

Segundo os relatos, o motorista que reagiu à ação foi Genivaldo da Silva Félix, de 48 anos. Ele foi o último a cair na emboscada dos criminosos, após aceitar uma corrida que tinha como ponto de partida a Rua do Nepal, no bairro de Jardim Santo Inácio. Todas as outras vítimas foram atraídas para o mesmo local. Após a luta, o motorista foi assassinado pelos criminosos, junto com os colegas. O crime ocorreu na sexta-feira (13).

Os mortos são:

Sávio da Silva Dias, de 23 anos

Alisson Silva Damasceno, de 27 anos

Daniel Santos da Silva, de 31 anos

Genivaldo da Silva Félix, de 48 anos

O sobrevivente foi identificado como Nivaldo Santos Vieira, de 40 anos. Ainda segundo familiares das outras vítimas, o homem teria pulado em um barranco e se escondido na lama para conseguir despistar os criminosos, que perseguiram ele depois da fuga. Foi Nivaldo que acionou a polícia e passou a localização do local do crime.

No lugar, foram encontrados os corpos dos motoristas. Eles estavam enrolados em lonas de plástico. No mesmo bairro, três carros que seriam dos motoristas foram localizados. Um outro veículo foi achado no pedágio da cidade de Simões Filho, na região metropolitana de Salvador. Não há informações sobre o quinto carro.

Em entrevista à TV Bahia, a esposa de Genivaldo da Silva Félix, a enfermeira Paula Bispo da Conceição, revelou também o relato do sobrevivente de que, durante a confusão, o marido dela teria dito aos criminosos que não aceitava morrer daquele jeito, e que, por isso, lutou com os homens.

Para Paula, se não fosse a fuga, os criminosos fariam mais vítimas na ação. "Se ele não luta para o outro fugir, ia ser muito mais gente morta. Com certeza. Porque não é possível que eles [criminosos] iam parar".

A enfermeira contou ainda que o marido atuava como motorista de aplicativo para complementar a renda familiar, e tinha saído de casa feliz na sexta-feira para trabalhar. A família pede justiça.

"Meu marido saiu de casa feliz para complementar o pão de casa. Ele trabalhava nisso para ter uma renda melhor, para complementar a renda dele. E não deixaram ele voltar para casa por pura crueldade. Só fizeram crueldade. Aquilo que fizeram foi um massacre. É crueldade demais para um ser humano que não fez nada a eles. Nenhum deles ali fez nada".

Neste sábado (14), a Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) informou que um dos suspeitos do crime morreu em confronto com policiais militares na noite da sexta-feira, com um outro homem, que não tem relação com o caso. Os nomes dos dois não foram divulgados. Com eles, segundo a SSP, foram apreendidos dois revólveres, sendo um calibre 38 e um calibre 32.

Também neste sábado, foram enterrados Sávio da Silva Dias e Daniel Santos da Silva. Os sepultamentos foram realizados no cemitério do Campo Santo, no bairro da Federação, na capital baiana. Dezenas de familiares e amigos das vítimas participaram das cerimônias, sob forte comoção.

Em entrevista à reportagem da TV Bahia durante o enterro, uma prima de Sávio disse que a família está arrasada, e também pediu justiça.

"Nossa família está destruída, porque foi um jovem de 23 anos que teve a sua vida ceifada desta forma brutal. Ele foi torturado, e é isso que nós não estammos aceitando. Se fosse uma morte natural, talvez nós estivéssemos aceitado, mas uma morte brutal dessa forma nós não aceitamos. É por isso que toda família quer só justiça. A palavra que nós queremos é somente justiça", contou Fátima Nascimento.

Alisson Silva Damasceno vai ser sepultado na cidade de Camamu, no baixo sul baiano. Já Genivaldo da Silva Félix será enterrado no município de Laje, a cerca de 230 km de Salvador. As famílias não informaram as datas dos sepultamentos.

Áudios nas redes sociais

Em áudios que circulam entre motoristas de aplicativos, um homem que seria o sobrevivente da chacina fala sobre os momentos de pânico que viveu. A polícia, no entanto, não confirma procedência do material.

"Tava amordaçado na boca com fio de... com fio de internet. Os pés amarrados e as mãos amarradas, irmão. Os caras falaram que era sexta-feira 13, que tinha que matar com requinte de crueldade, que tinha que derramar sangue", diz o homem em um áudio.

"Não tinha a necessidade deles matarem ninguém, velho. Só levou tudo para não ter necessidade. Mataram quatro pais de família. Os caras queriam matar de qualquer jeito, velho", diz o homem em outra parte.

Carreata

Na tarde da sexta-feira, poucas horas após o crime, motoristas de aplicativos fizeram uma carreata pelas ruas de Salvador para pedir mais segurança.

Segundo informações da Superintendência de Trânsito (Transalvador), o ato, que durou cerca de 4h, travou importantes vias da cidade, como Bonocô, Avenidas Paralela, Tancredo Neves e Luís Eduardo Magalhães, e também deixou o trânsito congestionado no Centro.

O que diz a 99 na íntegra

"A 99 lamenta profundamente esse terrível caso de violência, que resultou na morte de quatro pessoas.

A empresa informa que Sávio da Silva Dias e Daniel Santos da Silva não estão cadastrados na plataforma como condutores. Os motoristas Alisson Silva Damascena dos Santos e Genivaldo da Silva Félix eram parceiros da 99 e foram vítimas deste triste crime.

A companhia se solidariza com a família das vítimas nesse momento de profunda dor. A 99 mobilizou uma equipe especializada que está buscando contato com as famílias para dar todo o apoio e acolhimento necessários, o que inclui o acionamento de um seguro pessoal que cobre todas as corridas do aplicativo. A empresa informa ainda que está colaborando com as investigações da polícia".

O que diz a Uber na íntegra

"A Uber lamenta profundamente o crime brutal e chocante ocorrido em Salvador e se solidariza com os familiares e entes queridos das vítimas nesse momento de consternação.

A empresa está em contato direto com as autoridades responsáveis para apoiar nas investigações do caso".

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